Todos os meses, cerca de 5400 pessoas no Brasil pesquisam no Google “como escrever um livro”. Se multiplicarmos por 12 meses, mais de 64 mil pessoas se perguntam anualmente como dar os primeiros passos nessa tarefa que, para muitos, parece impossível.
Mas seguir uma carreira literária pode estar mais próximo do que você imagina. Afinal, não há limitações de idade, profissão ou formação para que você se torne escritor ou escritora.
Machado de Assis e Clarice Lispector eram jornalistas. Guimarães Rosa, diplomata. Zélia Gattai, fotógrafa. Luis Fernando Veríssimo estudou música. Assim como tantos outros escritores, eles apenas abriram espaço para o chamado da literatura, do compartilhar de ideias. E por isso ficaram mundialmente conhecidos.
Hoje em dia, até mesmo crianças podem publicar livros e ver suas obras rodando o mundo. Isso porque existe um mercado editorial bastante consolidado no país, capaz de dar voz a qualquer pessoa que tenha talento e vontade de escrever.
Mas o que impede muitas pessoas de desenvolverem uma carreira literária nem sempre é a dificuldade de escrever. Algumas barreiras, como o medo do julgamento de outras pessoas, a insegurança com relação à relevância das suas ideias e até mesmo o desconhecimento sobre como publicar um livro podem travar esse sonho.
Por esse motivo, neste artigo você vai conferir dicas práticas para perder o medo, colocar suas ideias no papel e dar os primeiros passos rumo à sua carreira literária. Continue a leitura!
Escrever para quê, afinal?
A escrita é um meio de expressão que nos permite extravasar emoções, sentimentos, pensamentos, ideias e, principalmente, a imaginação.
Basta nos voltamos para obras como “20 mil léguas submarinas”, de Julio Verne, ou “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien, para descobrirmos como a imaginação das pessoas pode levar a obras épicas.
A escrita também pode revelar contextos sociais, propagar culturas e analisar fatos históricos. É o que vemos em obras como “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa, e a saga “O tempo e o vento”, de Érico Veríssimo.
Escrever também é um meio de ajudar outras pessoas compartilhando nossas experiências pessoais ou até mesmo pesquisas acadêmicas. Este é o caso de “A morte é um dia que vale a pena viver”, de Ana Claudia Quintana Arantes, e “Ninguém é normal”, de Roy Richard Grinker.
Cada ser humano possui um mundo interior único, capaz de criar as mais fantásticas obras literárias. E colocar esse potencial em ação não contribui só para quem escreve, mas também para quem recebe essa escrita como forma de transformação.
Um passo a passo para iniciar na carreira literária
Talvez você já tenha ouvido a frase “e se der medo, vai com medo mesmo”. Esse é o grande segredo para quem deseja ingressar na carreira literária. Isso porque o medo é capaz de paralisar qualquer talento.
Imagine quantas grandes ideias ficaram engavetadas ou nem mesmo chegaram a ganhar vida só porque as pessoas tinham medo de compartilhá-las?
Sendo assim, nosso primeiro convite é: apenas tente, apenas arrisque. Sente-se em frente ao computador e escreva sem amarras, sem revisar, sem parar para dar uma olhadinha. Não tem computador? Pegue um caderno ou um bloco de notas. Não importa. Esse é o seu primeiro grande passo.
Lapide seu texto
Depois de dar vida às suas ideias, o próximo passo é lapidá-las. Isso significa revisitar capítulo por capítulo com seu senso crítico aguçado, a fim de melhorar a coesão e coerência da sua história. Você pode trazer mais detalhes de cada personagem, elaborar melhor os cenários e toda a narrativa.
Se o seu livro é técnico, também cabe esse trabalho de lapidação. Confira dados, fontes, entrelaçamento de ideias e conclusões. Lembre-se de refinar o texto de modo que ele fique fácil de compreender e tenha uma linha de raciocínio que conduza o leitor a uma reflexão.
Caso seja um livro de poesia, convém dar aquele toque final, revendo a métrica de cada estrofe e como elas se conectam.
Peça a opinião de pessoas de confiança
Uma das grandes barreiras que impedem as pessoas de adentrar a carreira literária é o medo do julgamento alheio. Por isso, antes de apresentar sua ideia para uma editora, você pode pedir a opinião de pessoas de confiança, que você sabe que dirão a verdade sem, no entanto, menosprezar o seu trabalho.
Essa etapa pode te ajudar a construir um texto mais coeso e coerente, bem como identificar possíveis erros de digitação e falhas na sua narrativa.
Finalize o arquivo e registre sua obra
Um ponto importante que pode passar despercebido é a necessidade de registro do seu livro para garantir direitos autorais. Esse cuidado evita que pessoas mal-intencionadas se apropriem das suas ideias e do seu trabalho.
Para tanto, você pode conferir todas as informações na Agência Brasileira do ISBN. O registro pode ser feito tanto por pessoas físicas quanto empresas, portanto, mesmo que você não tenha nenhuma editora em vista ou pretenda promover seu livro de forma independente, é fundamental não pular este passo.
Encontre parceiros para publicação e divulgação
Atualmente, é bastante simples publicar um livro. Há quem prefira a segurança das editoras, que já dispõem de todo um processo logístico para garantir que as obras cheguem às pessoas. E há quem opte pela publicação independente, seja por meio de financiamentos coletivos ou recursos próprios.
Uma boa forma de divulgar e vender um livro novo é disponibilizá-lo em formato digital para que seja vendido em plataformas como a Amazon. Mas nada impede que você faça sua própria divulgação, criando um site próprio e investindo em anúncios, por exemplo.
Outra maneira de divulgar seu livro é participar de feiras e eventos culturais. Além disso, você pode tentar formar parcerias com livrarias para organizar tardes de autógrafos.
Seja resiliente
Todos os anos, milhares de livros são lançados no mercado mundial. Alguns se sairão bem, enquanto outros terão mais dificuldade em se destacar. Mas isso não pode fazer com que você desista do seu sonho.
Mesmo que o seu primeiro livro não ganhe o destaque que você gostaria, o importante é seguir tentando, seja com uma revisão do material inicial ou com a construção de uma nova narrativa.
Traçar uma carreira literária requer persistência e capacidade de não desistir mesmo diante das maiores barreiras. E, para isso, você precisa desenvolver resiliência, uma das competências mais requeridas no mercado de trabalho.